A venda dos ovos de Páscoa em 2020 será impactada pelas medidas de isolamento social pelo novo Coronavírus. Para não perder o que já haviam produzido, os empreendedores locais até as grandes marcas tiveram que se adaptar. As principais soluções encontradas foram o delivery e o e-commerce.
A Lacta, por exemplo, reforçou sua atuação em canais de delivery e venda pelo site. Seu posicionamento de marca, agora, passa a ser: “Lacta. Cada pedacinho aproxima. Mesmo estando cada um na sua toca”.
As ações, que vão desde parceria com aplicativos como Uber Eats até o e-commerce próprio, foram desenvolvidas em prazo recorde. O objetivo é contribuir para evitar a aglomeração nas lojas e mercados.
A marca lança também uma iniciativa, em parceria com o Rappi, em que consumidores podem se cadastrar no site para serem vendedores afiliados. Cada pessoa que se inscrever terá um cupom atrelado para divulgar aos seus amigos.
(Foto: Pixabay)
Tais clientes não somente poderão aproveitar as promoções da empresa no aplicativo, como também ajudarão a pessoa que enviou o código a ganhar uma comissão de 10% sobre o valor do produto. A ação ficará válida até dia 12 de abril ou enquanto durarem os estoques.
O diretor de Novos Negócios da Mondelez Brasil, Leonardo Tonini, explicou que a marca buscou um reposicionamento em um cenário com menor circulação de pessoas nas ruas.
“Como uma marca que é referência na Páscoa, acreditamos que devíamos buscar soluções para levar a data até a casa dos consumidores, pelo seu poder de aliviar a tensão do cotidiano. Com essas parcerias, queremos que as pessoas tenham momentos mais leves, mesmo estando longe de quem se ama. Seja presenteando ou se deliciando com chocolate”.
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Produtores locais também usam delivery como estratégia
Em Belo Horizonte, Minas Gerais, a proprietária da loja ‘Doce que seja Doce’, Luana Drumond, contou à FOLHA DIRIGIDA que optou pelo serviço de delivery para escoar a produção.
“A Páscoa é planejada com antecedência. Eu tinha um volume de casca e de recheio congelado muito grande. Então, era melhor transformar matéria prima em dinheiro, mesmo perdendo lucro”, revelou Luana.
O problema, segundo Luana, é que os aplicativos, como o Ifood, apresentam taxas altas. O que diminui o lucro.
“A venda de todos os itens produzidos vai acontecer, sem muita dificuldade. Estamos vendendo muito bem pelo Ifood. O que muda é que as taxas são altas, cerca de 27% por produto, o que é muito próximo do que seria nosso lucro. O lucro de um restaurante gira em torno de 30%. É praticamente sair no zero a zero”, explicou.
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Luana Drumond ainda revelou que o período de Páscoa equivale, em geral, a quatro ou cinco meses de um movimento normal na loja. Esse condicionamento, contudo, não deve se repetir este ano.
Comparado a 2019, o número de consumidores que tem a intenção de comprar chocolates caiu 38,6%, de acordo com pesquisa do Instituto Fecomércio RJ.
As vendas de chocolate, portanto, devem ter queda em comparação ao ano passado, segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS). O motivo é o contexto atual, no qual famílias voltam suas rendas para produtos básicos, de higiene e limpeza.

















