No Brasil, a remuneração média de um presidente ou executivo-chefe (CEO, na sigla em Inglês), em 2019, foi 75 vezes maior do que a remuneração paga aos funcionários das próprias empresas em que trabalham.
Considerando as empresas listadas no Ibovespa, a remuneração anual de um CEO foi de R$11,28 milhões no ano passado, com valores que variam entre R$585 mil e R$52 milhões.
O levantamento foi feito pelo especialista em governança corporativa e ex-diretor da Previ, Renato Chaves. A análise compara os dados divulgados pelas companhias de capital aberto e disponibilizados no Formulário de Referência de 2019 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Uma matéria publicada pelo Portal de Notícias G1 na última quarta-feira, 30, afirma que a divulgação dos salários mínimo, máximo e médio dos executivos das companhias abertas está prevista desde 2009. Mas, somente em 2018, a CVM conseguiu derrubar uma decisão judicial que impedia a autarquia de exigir que todas as empresas divulgassem esses números.
De acordo com o ranking, as maiores diferenças na relação maior salário/remuneração média foram verificadas nas Lojas Americanas (663 vezes), Pão de Açúcar (649), Magazine Luiza (526), Intermédica (476) e Itaú (473). Já entre as três empresas com menores diferenças estão B3 (156), Cia Hering (153) e Klabin (148).
Empresas do Ibovespa com maiores diferenças salariais
| Lojas Americanas | 663 |
| Pão de Açúcar | 649 |
| Magazine Luiza | 526 |
| Intermédica | 476 |
| Itaú | 473 |
| Hapvida | 438 |
| Cogna | 438 |
| CVC Brasil | 413 |
| Santander Brasil | 364 |
| JBS | 362 |
| Carrefour | 360 |
| Localiza | 334 |
| Raia Drogasil | 313 |
| Bradesco | 305 |
| Minerva | 240 |
| B2W Digital | 235 |
| BRF | 235 |
| B3 | 156 |
| Cia Hering | 153 |
| Klabin | 148 |
"São informações públicas que estão na CVM, mas que dá um pouquinho de trabalho procurar. Não são fáceis. Trata-se da maior remuneração da diretoria. É o CEO que a gente está falando", disse Chaves.
Ainda de acordo com o G1, para calcular as diferenças salariais, Renato Chaves comparou os maiores salários de cada empresa com a remuneração direta dos empregados, que é informada no documento chamado Demonstração do Valor Adicionado (DVA).
No entanto, o especialista comenta que alguns fatores podem influenciar a base de comparação dos números como, por exemplo, contratações concentradas no fim do ano, já que o Formulário de Referência da CVM refere-se à posição das empresas em 31 de dezembro.
Além disso, tem a forma da composição do DVA, já que algumas empresas não incluem na remuneração direta dos funcionários itens como Participação nos Lucros e Resultado (PLR) e bônus por performance.
(Foto: Pixabay)
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Desigualdade salarial no Brasil é maior do que em outros países
Para Renato Chaves, os números revelam uma desigualdade salarial "assustadora" e superior a encontrada em outros países. O especialista cita, por exemplo, estudos da PayScale, que apontou uma diferença máxima de 434 vezes nos Estados Unidos e outro na agência Bloomberg, que apontou diferenças de 146 vezes na Alemanha e de 60 vezes na Suécia.
"Vejo a remuneração de executivos no Brasil bem excessiva. O que pretendo mostrar com isso é que as empresas grandes fazem parte do problema da desigualdade da sociedade que nós temos. Não existe super-homem. Ganha muito porque a empresa é grande, só por isso. Nenhuma estratégia vencedora pode ser creditado a uma única mente brilhante", ressalta.
Maiores remunerações anuais nas empresas do Ibovespa
- Itaú: R$ 52,06 milhões
- B3: R$ 51,25 milhões
- Santander: R$ 45,32 milhões
- CVC Brasil: R$ 37,9 milhões
- JBS: R$ 32,14 milhões
- Bradesco: R$ 30,66 milhões
- Cosan: R$ 27,25 milhões
- Cogna: R$ 22,82 milhões
- Magazine Luiza: R$ 21,25 milhões
- Braskem: R$ 21,12 milhões

















