No início deste mês, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizou uma nova pesquisa sobre os impactos da pandemia do novo Coronavírus nos pequenos negócios brasileiros. Os dados foram coletados entre os dias 3 e 7 de abril.
Foram ouvidos 6.080 empreendedores de todo o país. As respostas demonstraram que os pequenos negócios já vem sofrendo com a dificuldade de acesso a crédito e queda no faturamento.
Segundo o levantamento, 60% dos donos de pequenos negócios já buscaram crédito no sistema financeiro desde o início da crise provocada pela Covid-19 e tiveram seus pedidos negados. Além disso, 29% desconhece as linhas de crédito que estão sendo disponibilizadas para evitar demissões e outros 57% apenas ouviu falar a respeito.
Em relação ao faturamento, 88% dos empreendedores relataram queda de, em média, 75%. A estimativa média apresentada pelos donos de pequenos negócios é que eles consigam permanecer com suas empresas fechadas e, ainda, assim tenham dinheiro para pagar as contas por mais 23 dias.
A maioria dos entrevistados disse que a situação financeira das empresas já não era considerada boa. Do total de empreendedores, 73% classificaram a situação como razoável ou ruim, mesmo antes da chegada da pandemia.
Desde o início do isolamento social, dentre outras medidas restritivas adotadas para tentar conter os avanços da Covid-19 no Brasil, mais de 62% dos negócios interromperam temporariamente as atividades ou fecharam as portas definitivamente. Os que permanecem funcionando, precisaram fazer reformulações no seu modo de atuação.
Muitos passaram a fazer apenas entregas, atuando exclusivamente no ambiente virtual ou adotando horário reduzido. Cerca de 18% dos empresários também relataram que foi preciso demitir funcionários.
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pequenos negócios (Foto: Divulgação)
Confira outros resultados obtidos por meio da pesquisa
A pesquisa ainda aponta outros resultados importantes para entender os impactos da crise nos pequenos negócios. Confira:
Sua empresa mudou o funcionamento com a crise?
- Não mudaram a forma de funcionar = 6,6%
- Mudaram o funcionamento = 31%
- Interromperam o funcionamento temporariamente = 58,9%
- Decidiram fechar de vez = 3,5%
Entre as empresas que mudaram seu funcionamento
- Estão atuando apenas para entregas ou online = 41,9%
- Estão com horário reduzido = 41,2%
- Adotaram o teletrabalho (home office) = 21,6%
- Implementaram o rodízio de funcionários = 15,3%
- Adotaram drive thru = 5,9%
Como estava a situação das finanças antes da crise?
- Boa = 26,6%
- Razoável = 49%
- Ruim = 24,4%
Como seu negócio está sendo afetado em termos de faturamento mensal?
- Aumentou = 2,4%
- Diminuiu = 87,5%
- Permaneceu igual = 2,9%
- Não sabe ou não quis responder = 7,2%
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Em relação aos funcionários — tomou alguma medida?
- Ainda não tomou medidas = 46,8%
- Férias coletivas = 28%
- Suspensão de contrato de trabalho = 17,8%
- Redução da jornada de trabalho com redução de salários = 17%
Você precisará pedir empréstimos para manter seu negócio em funcionamento sem gerar demissões?
- Sim = 54,9%
- Não = 17%
- Não sabe ou não respondeu = 28,1%
Já buscou empréstimo desde o início da crise?
- Sim = 30%
- Não = 70%
Entre os que buscaram crédito
- Conseguiram = 11,3%
- Estão aguardando resposta = 29,5%
- Tiveram pedido negado = 59,2%
Auxílio emergencial para MEI, autônomo e empregados informais
- Ouviram falar = 63,6%
- Conhecem bem =34,2%
- Não conhecem = 2,2%
Suspensão de contratos de trabalho e redução de jornada com compensação do governo para empregado
- Ouviram falar = 62%
- Conhecem bem = 22,8%
- Não conhecem = 15,3%
Linhas de crédito com juros menores para empresas que não demitirem
- Conhecem bem = 14,2%
- Ouviram falar = 57,3%
- Não conhecem = 28,5%
Sebrae faz alavancagem no Fampe para ajudar pequenos negócios
Com base nos dados apresentados pela pesquisa, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, aproveitou para destacar a importância das medidas anunciadas pelo governo nos últimos dias. O intuito de tais iniciativas é, justamente, amenizar os impactos nos pequenos negócios.
Um dos destaques é a alavancagem que o Sebrae está fazendo no Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe). A ideia é que nos próximos três meses, o Sebrae destine pelo menos 50% da sua arrecadação, para ampliar o crédito aos pequenos negócios.
Esta operação de socorro deve começar com R$ 1 bilhão em garantias, o que viabilizará a alavancagem de aproximadamente R$ 12 bilhões em crédito para pequenos negócios.
“Um dos maiores obstáculos no acesso dos pequenos negócios ao crédito é a exigência de garantias feita pelas instituições financeiras. Nesse sentido, o Fampe funciona como um salvo-conduto, que vai permitir aos pequenos negócios, incluindo até o microempreendedor individual, obterem os recursos para capital de giro, tão necessários para atravessarem a crise provocada pela pandemia do Coronavírus, mantendo os negócios e os empregos”, explicou Carlos Melles.

















