A Educação, ou a falta dela, pode mudar a vida e o destino de uma maneira drástica. Recentemente, estava lendo a pesquisa da FGV, que apontava que, com a Covid-19, houve um recorde da geração “nem-nem” em 2020. Nesse caso, são os jovens que NEM trabalham e NEM estudam.
O percentual foi de 28,6%, no último trimestre de 2019, para 35,2% em 2020, da população de 20 a 24 anos que não trabalha nem estuda. Na faixa de 25 e 29 anos, subiu de 25% para 33%.
O economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, responsável pelo estudo, afirma que: "O problema está no mercado de trabalho, principalmente para os que estão se formando. Junta-se à crescente desigualdade educacional com a dificuldade dos jovens de se inserir no mercado de trabalho."
Eu concordo, mas será que o problema é esse mesmo?
Estudar é um hábito que deve ser estimulado
A educação, o ato de estudar, é um hábito como outro qualquer. Deveríamos dobrar os nossos esforços para mostrar para as nossas crianças que uma vida plena e feliz está diretamente ligada a nossa capacidade de aprender.
Esse aprendizado também pode ser relativo a algo que amamos e que possa nos proporcionar boas condições ao longo de nossas vidas.
Também deveríamos lutar para mudar o mindset vigente do “pra que serve a Educação?”.
Quando seguimos uma receita de bolo, em que a sociedade prega que você deve ir para o ensino médio, depois se formar, fazer faculdade e esperar alguém te dar uma oportunidade, é um ciclo muito perigoso. Explico!
Na prática, esses adolescentes e jovens adultos estão transferindo a sua trajetória de prosperidade para um terceiro, seja ele uma empresa ou o próprio governo. O caminho de alguns ainda pode ser assim (como era a regra nas décadas passada), mas hoje isso não é mais verdade.
O que acontece é que muita gente está sendo empurrada para o empreendedorismo (por necessidade), porém muitas vezes sem a capacitação necessária para isso.
Como resolver a geração “nem-nem”
Acredito que tão importante quanto a Educação, é começarmos a trabalhar o tipo de capacitação com esses jovens, família e sociedade. Será que todos precisam de uma formação de longa duração? Muitas vezes queimando todas as reservas da família para se formar em uma profissão já lotada de profissionais e em declínio.
Ou será que, principalmente, através da Tecnologia e do acesso à informação que temos hoje, não é possível mudar a vida desses jovens, da geração “nem-nem”, com capacitação mais adequada ao que o mercado de trabalho pede?
Será que aos poucos a gente não consegue substituir o “vender bala no sinal” por outras profissões de maior valor agregado? Com Educação a gente consegue sim mudar a realidade de centenas de milhares de brasileiros.
Se tudo correr bem, eu espero ler em alguns anos, uma matéria parecida, só que dizendo que a geração “nem-nem” caiu pela metade. É otimismo demais pensar assim?
Talvez, mas eu sou brasileiro e não desisto nunca.

Sobre o Autor
Ricardo Marsili é CEO da Folha Dirigida, liderando a empresa em seu processo de transformação digital e reposicionamento de marca dentro do universo do jornalismo digital e Educação a Distância. Marsili é também embaixador da EduQC, empresa que usa inteligência artificial, tecnologia e ensino adaptativo. Ao longo dos últimos 15 anos empreendeu e atuou no mercado digital e de Educação, ajudando milhares de pessoas a atingirem seus objetivos.
















