O presidente Jair Bolsonaro disse que cerca de “10 milhões de pessoas perderam emprego de carteira assinada” como efeito da crise do Coronavírus. A declaração ocorreu na quinta-feira, 7, no Palácio da Alvorada, sem a citação de uma fonte oficial que comprove o levantamento estatístico.
Questionado pelos jornalistas sobre a origem do dado, Bolsonaro explicou que foi repassado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O presidente também revelou ter se surpreendido com o número. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
Bolsonaro afirmou que em um pequeno comércio com cinco funcionários, a tendência é que três tenham sido demitidos. De acordo com o presidente, dos 38 milhões de autônomos no Brasil, cerca de 80% também perderam o poder aquisitivo em decorrência da pandemia.
Nesse caso, ele referenciou os dados à Organização Internacional do Trabalho (OIT), sem entrar em detalhes. Entre março e a primeira quinzena de abril, foram registrados, em média, 800 mil pedidos de seguro-desemprego.
Acredita-se que outros 200 mil pedidos estejam represados em função do fechamento das agências do Sine, conforme os próprios técnicos da equipe econômica anunciaram.
Brasil sem citar fontes (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Dessa forma, pelos números oficiais do Ministério da Economia, o Brasil teria atingido em torno de 1 milhão de desempregados em virtude do Coronavírus. O que representa um aumento de 150 mil em comparação com o mesmo período do ano passado.
Divulgada no final de abril, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua) indica que a taxa de desemprego no país ficou em 12,2% no primeiro trimestre. O levantamento é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A população desocupada atingiu a marca de 12,9 milhões de pessoas, representando alta de 10,5%. Isto é, 1,2 milhão de desempregados a mais em relação ao último trimestre do ano passado. Se comparado à taxa do último trimestre de 2019, houve aumento de 1,2%.
Ainda segundo o IBGE, a taxa de informalidade atingiu 39,9% da população ocupada, de forma a representar um contingente de 36,8 milhões de trabalhadores informais.
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Secretário comemora manutenção de 6 milhões de empregos
Em contrapartida aos dados de Bolsonaro, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, publicou um vídeo em suas redes sociais em que comemora a manutenção de 6 milhões de empregos formais.
A divulgação do vídeo ocorreu na própria quinta-feira, 7. A permanência dos empregados foi justificada pela redução da jornada de trabalho e salários, estabelecida pela Medida Provisória 936/2020.
O presidente também assinou e publicou um decreto que inclui o setor de construção civil e as atividades industriais nas atividades essenciais. Isto é, que podem funcionar durante a pandemia da Covid-19, desde que "obedecidas as determinações do Ministério da Saúde".
A orientação ocorre no momento em que cada vez mais municípios têm adotado ou falado em adotar medidas de "lockdown" (confinamento obrigatório) na tentativa de conter o avanço do vírus.
"Vamos colocar novas categorias com responsabilidade e observando as normas do Ministério da Saúde. Porque senão, depois da UTI, é o cemitério, e não queremos isso para o Brasil", declarou Bolsonaro.

















